
Caatinga Eterna
Cacto Humano · HQ 5 de 5 · 50 páginas
A Foice do Tempo mostra a Raimundo um planeta morto onde nada jamais cresceu. A missão: plantar a última semente do mandacaru-mãe e ficar para regá-la com o próprio corpo por um século. Ele aceita antes de ouvir o preço. O final redefine o que é ser herói.
Antagonista
O vazio do planeta K-0
HQ completa: R$ 14,90
Amostra grátis: as 3 primeiras páginas, para ler online ou baixar.
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Páginas 1–3 de 50 ·

A Foice do Tempo me mostra K-0: cinzento, morto. Onde nada jamais cresceu.
Na minha mão, a última semente do mandacaru-mãe. Brilha como luz.
Aceitei antes de ouvir o preço.
Planta a semente. Rega com teu corpo. Por um século.
Aceito.
Despedida no Curral, em silêncio. Chico me entrega uma pena negra:
Sou árvore. Árvore não sai.
Pra lembrar de cantar de manhã.

K-0. Vento de poeira cinzenta, céu parado. Caminho até o centro do nada.
Cavo com minhas garras. Planto a semente. Rego com a seiva do meu braço.
Me enraízo. Dias viram anos em montagem. O broto cresce ao meu lado.
Primeiro verde num mundo cinzento.
Vingou, mãe.
Anos passam: o broto vira mandacaruzinho, depois árvore jovem. O cinza recua palmo a palmo.

Décadas: florestas jovens cobrem o horizonte. Rios nascem onde chorei.
Criaturas novas, nunca vistas, bebem da minha sombra. Não me movo. Sou o mundo, agora.
Um século depois: K-0 é verde. No centro, um mandacaru colossal — e fundida a ele, minha forma, serena.
Uma nave dos Ceifadores pousa. Encontram a floresta. Flores brancas por toda parte.
Num galho alto, a pena negra — cem anos depois, ainda lá.
Herói não é quem vence. É quem fica. A caatinga é eterna porque alguém foi teimoso o bastante pra plantá-la no nada.
Caatinga Eterna — amostra grátis
OS CEIFADORES · @ollidesignergráfico

A Foice do Tempo me mostra K-0: cinzento, morto. Onde nada jamais cresceu.
Na minha mão, a última semente do mandacaru-mãe. Brilha como luz.
Aceitei antes de ouvir o preço.
Planta a semente. Rega com teu corpo. Por um século.
Aceito.
Despedida no Curral, em silêncio. Chico me entrega uma pena negra:
Sou árvore. Árvore não sai.
Pra lembrar de cantar de manhã.

K-0. Vento de poeira cinzenta, céu parado. Caminho até o centro do nada.
Cavo com minhas garras. Planto a semente. Rego com a seiva do meu braço.
Me enraízo. Dias viram anos em montagem. O broto cresce ao meu lado.
Primeiro verde num mundo cinzento.
Vingou, mãe.
Anos passam: o broto vira mandacaruzinho, depois árvore jovem. O cinza recua palmo a palmo.

Décadas: florestas jovens cobrem o horizonte. Rios nascem onde chorei.
Criaturas novas, nunca vistas, bebem da minha sombra. Não me movo. Sou o mundo, agora.
Um século depois: K-0 é verde. No centro, um mandacaru colossal — e fundida a ele, minha forma, serena.
Uma nave dos Ceifadores pousa. Encontram a floresta. Flores brancas por toda parte.
Num galho alto, a pena negra — cem anos depois, ainda lá.
Herói não é quem vence. É quem fica. A caatinga é eterna porque alguém foi teimoso o bastante pra plantá-la no nada.