
Bandeira Negra
Capitão Nacional · HQ 5 de 5 · 50 páginas
A lista terminou. Todos os nomes foram ceifados — menos um: o dele. Aurélio decide enterrar o Capitão Nacional e voltar a ser só Aurélio. Mas o multiverso não aposenta ceifadores tão fácil. O último capítulo é sobre o preço da paz — e quem paga.
Antagonista
O próprio passado
HQ completa: R$ 14,90
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Páginas 1–3 de 50 ·

A lista terminou. Todos os nomes ceifados — menos um: o meu.
Decido enterrar o Capitão Nacional. Voltar a ser só Aurélio. Dobro o uniforme com cuidado.
Pôr do sol. Sob a carnaubeira, enterro o escudo. Silhueta solitária.
Vila sertaneja. Cuscuz na feira, forró eletrônico, paz. Como homem comum.
Mas de noite o céu racha: a Foice do Tempo chama. O multiverso não aposenta ceifadores tão fácil.
KRAKOOM

Última missão: um fragmento da SECA ameaça a vila. Sem uniforme, sem escudo — só Aurélio.
Luto como homem comum: pau, pedra, teimosia. Apanho muito. Não desisto nunca.
A vila inteira comigo: velhos, crianças, a rezadeira que programa bênçãos. Todos contra o fragmento.
Precisei aposentar o herói pra virar gente.
Desenterro o escudo. Não pra vestir — pra pendurar na praça da vila como sino de alarme. Se precisar, eu venho. Como vizinho.

Meses de paz. Planto, conserto telhado, ensino as crianças a ler cordel holográfico.
O passado cobra: o último capanga da lista, que poupei, aparece na vila — velho, doente, pedindo perdão.
Encaro ele longamente. Puxo uma cadeira. Sirvo café.
Perdão se pede de joelho. Se recebe de pé.
Ao longe, uma luz no céu: o chamado dos Ceifadores. Olho a vila dormindo.
Deixo o escudo-sino onde está. Caminho pra luz — de chinelo, sem uniforme. O preço da paz ninguém paga sozinho.
E herói de verdade não precisa de capa — precisa de vizinho. Na praça vazia, o sino toca sozinho, uma vez. Ao vento. Ou não.
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OS CEIFADORES · @ollidesignergráfico

A lista terminou. Todos os nomes ceifados — menos um: o meu.
Decido enterrar o Capitão Nacional. Voltar a ser só Aurélio. Dobro o uniforme com cuidado.
Pôr do sol. Sob a carnaubeira, enterro o escudo. Silhueta solitária.
Vila sertaneja. Cuscuz na feira, forró eletrônico, paz. Como homem comum.
Mas de noite o céu racha: a Foice do Tempo chama. O multiverso não aposenta ceifadores tão fácil.
KRAKOOM

Última missão: um fragmento da SECA ameaça a vila. Sem uniforme, sem escudo — só Aurélio.
Luto como homem comum: pau, pedra, teimosia. Apanho muito. Não desisto nunca.
A vila inteira comigo: velhos, crianças, a rezadeira que programa bênçãos. Todos contra o fragmento.
Precisei aposentar o herói pra virar gente.
Desenterro o escudo. Não pra vestir — pra pendurar na praça da vila como sino de alarme. Se precisar, eu venho. Como vizinho.

Meses de paz. Planto, conserto telhado, ensino as crianças a ler cordel holográfico.
O passado cobra: o último capanga da lista, que poupei, aparece na vila — velho, doente, pedindo perdão.
Encaro ele longamente. Puxo uma cadeira. Sirvo café.
Perdão se pede de joelho. Se recebe de pé.
Ao longe, uma luz no céu: o chamado dos Ceifadores. Olho a vila dormindo.
Deixo o escudo-sino onde está. Caminho pra luz — de chinelo, sem uniforme. O preço da paz ninguém paga sozinho.
E herói de verdade não precisa de capa — precisa de vizinho. Na praça vazia, o sino toca sozinho, uma vez. Ao vento. Ou não.