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O Último Abolicionista

Dragão do Mar · HQ 5 de 5 · 50 páginas

A liberdade tem preço — e o mar cobra do Dragão o mais alto: para selar o tráfico temporal para sempre, ele precisa se exilar no entre-mundos, longe do mar que ama. O último abolicionista paga a conta de todos. O mar, em silêncio, agradece.

Antagonista
O tráfico temporal (o sistema)

HQ completa: R$ 14,90

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Páginas 1–3 de 50 ·

O Último Abolicionista — página 1
A última frota negreira do tempo se juntou. Velas negras como praga.
Ele caçou uma por uma. Tempestade com nome e endereço.
A capitânia abriu a fenda-mãe. Grande demais pra afundar de fora.
O espírito velho do mar subiu e contou a verdade: a fenda só se sela por dentro. Pra sempre.
O PREÇO É FICAR.
Ele entendeu. Dor e decisão no mesmo rosto.
O Último Abolicionista — página 2
Ele mergulhou no coração da fenda. Tridente em brasa.
Fincou no núcleo. A ferida no tempo se fechou em luz azul.
KRAK
Pelos séculos: correntes estalando ao mesmo tempo. Porão, senzala dimensional, campo de trabalho — luz entrando.
KRAK
A fenda cicatrizou. A frota foi apagada do tempo. Como se nunca tivesse existido.
Do outro lado: ele. Sozinho. No cinza do entre-mundos. Sem volta.
O Último Abolicionista — página 3
Fincou o tridente na água parada. Sentinela do nada.
Correntes quebradas boiando em volta. Oferenda.
Longe, no mar azul do Ceará, uma onda se ergueu em forma de mão. O mar, em silêncio, agradeceu.
Na praia, pescador curvou a cabeça pro mar. Homenagem sem palavra.
E ao amanhecer, crianças acharam braceletes de titânio-concha na areia. Na espuma, por um instante, um rosto sorrindo.
O último abolicionista pagou a conta de todos. O mar não esquece.